
Hoje me acordei um tanto estranho, com a cabeça nas estrelas, no caminho para o banho, tive logo uma surpresa
O guarda-roupa de mim ria, pois estava então vazio,
E roupa nova não teria, para cobrir meu corpo vil.
Mesmo assim não dei ouvidos a sua grande gozação,
Pois não seria esse ser metido, que iria atrapalhar minha ação Chegando no banheiro não estava nada normal,
Ao olhar para o espelho, reparei meu estado mal.
O olhar tão descaído, refletia toda a dor,
Como se tivesse dormido dentro de um congelador
Minha roupa fui tirando e percebi afinal,
Que com frio estava ficando o coitado do meu pé.
Então deixando tudo de lado, abro o chuveiro,
Pra ver se um banho gelado me refresca por inteiro.
Porém o azar parece me perseguir, essa água tem que acabar bem aqui
Me enrolo numa toalha e espero o tempo passar,
Parece que o governo não trabalha pra esse problema acabar.
A geladeira abro - e o que vejo? -
Aquele maldito quiabo e um pedacinho de queijo.
Ligo a televisão e lá está o noticiário:
Foge da prisão mais um salafrário.
Mudo de canal e o problema continua:
Um menino no sinal, vendendo doces na rua
Se não quero ver essa realidade, que com a TV estraga,
Tenho que aguentar por infelicidade a Ana Maria Braga
Ou aqueles desenhos animados, do tempo do guaraná a rolha,
Onde o público assistia empolgado , mas hoje só vê porque não tem outra escolha
Bah! Isso me deixa deprimido. E pra piorar: minha TV não pega colorido
Ligo a rádio nesse instante pra ver se a coisa melhora,
Porém escuto uma gigante poluição sonora
Desse jeito não vai dar, o que eu vou fazer?
Como alguém pode gostar de "Festa no Apê"?
Então ouço alguns passos, me arrepio por inteiro,
Eu levo um cagaço, mas é apenas o carteiro.
Tá - deixa eu adivinhar! - é o maldito IPTU,
A gente agora vai pagar pra depois tomar na rima.
Tudo OK! Entendo! O mês inteiro trabalhei e as dívidas aparecendo!
Não faz mal, eu supero! Ser feliz, afinal, é o que eu quero!
Mas como eu serei com esse telefone desgraçado?
Desde que eu instalei, a família não me deixa sossegado
Agora mesmo esse bagulho, tá fazendo "Trim,Trim,trim...",
Eu sei pelo barulho, é a sogra ligando pra mim
"Alô, querido?', diz ela,
Eu já ouço o ruído daquela velha banguela.
" Como vão vocês? Tudo bem contigo? Tô indo pra passar um mês com meu genro querido!" Existe tragédia maior, na vida humana?
É melhor comer giló, do que estar com a sogra por mais de uma semana
Olho pro relógio na parede, é quase meio-dia,
Estou com uma puta sede e não tem água na pia
Então um carro para, em frente do barraco,
Dele sai um cara, um velhote que aparenta estar fraco
Pergunta o meu nome, respondo: Antônio de Jesus,
Então ordena ao outro homem: "Pode cortar a luz!"
Eu imploro "por favor", mas jamais adiantaria ,
Porque: no Brasil atrasou, adeus energia
Que sociedade cruel, que vidinha fajuta,
Eu podia me sentir no céu, se não fosse esses filhos da mãe
E essa chatisse que só rima, se alguém já notou?
O brasileiro sendo pisado por cima e alguém usa eu pra fazer humor
Eu já estou cansado, e você aí está bem? Vou ficar aqui parado enquanto a água não vem
Valeu, gente boa! Quem leu, não perdeu tempo á toa
Essa é a verdade doída, que tende em aumentar
E ameaçar a vida de um povo que não para de lutar.
Autoria: Anderson Jonas Silva ( eu )